Senhor Wilson e Dona Luizinha

Bom, não poderia deixar passar esse dia sem parabenizar meu Pai. Não só por esse dia, mas por todos os que ele vence. Papai, infelizmente, foi diagnosticado com um câncer no reto, no ano passado. E a partir daí travou uma grande batalha. Que graças a DEUS, está vencendo. É um caboclo forte, nordestino arretado, que gosta de uma buchada, muito arroz com feijão. E isso o deixa forte pra enfrentar todas as batalhas. Talvez sua maior derrota tenha sido a partida de Mamãe a exatos cinco meses, uma perda irreparável, já que viveram juntos por quase 60 anos. Muitas lutas juntos por esse mundo de meu DEUS. Saíram juntos com sete filhos em um Jipe, da cidade de Serra Talhada, PB, em direção a Brasília. Pensa no perrengue!!! Passaram fome, medo, sufoco, desespero. chegaram ao fundo de tudo, ao escuro do mundo. Mas em nenhum momento desse sofrer pensaram em abandonar qualquer um de seus filhos. Quando eu nasci, já em Brasilia, minha Mãe dizia que nem roupa eu tinha pra vestir, era uma miséria mesmo. Mas estávamos juntos. De lá fomos novamente, erroneamente, para o nordeste, e depois para a grande São Paulo. A vida foi se ajeitando aqui e ali, mas ainda era complicado, aquele aluguel era doído, o dinheiro mal dava pras contas, mas continuávamos juntos. Tempos depois viemos parar aqui em Santa Catarina, nessa cidade gostosa que se chama Palhoça, cidade de gente simples, acolhedora. Ai a vida ficou mais tranquila, a casinha já era própria, a violência da cidade grande havia ficado no passado. Tudo ia bem até Mamãe começar a dar os primeiros sinas de mudança. E aos poucos foi indo embora, aquela mulher forte, corajosa, que enfrentava qualquer dificuldade, de repente se tornou um pessoa frágil, dependente, e distante de toda a sua história. Foram três anos até ela partir de vez. sua grande preocupação ainda era a nossa união, e ainda estamos aqui, juntos, como eles sempre lutaram para ser. Agora vamos seguindo lado a lado com Papai, até o último instante.